Dores da Alma
Dores da Alma
Esta série é uma cartografia íntima da experiência humana, mapeando o território onde a angústia e a beleza coexistem. Por meio da fluidez da aquarela — uma técnica que respira transparência, camadas e delicada erosão —, cada obra explora a dualidade de nossas paisagens interiores: alegria e dor, fragmentação e totalidade, memória e esquecimento.
"Dores da Alma" confronta as cicatrizes gravadas no tecido da alma — traumas, sonhos não realizados e a persistência silenciosa de nossos eus passados — enquanto traça o frágil surgimento da resiliência. As cores dialogam em contrastes emocionais (o dourado da esperança contra o azul da serenidade, a escuridão que cede à luz), e as formas se dissolvem como identidades em fluxo. O corpo torna-se um palimpsesto de vivências; as manchas de aquarela, como memórias que permeiam o tempo.
Inspirada pelo espaço liminar entre arte e ciência, destruição e cura, esta série celebra a vulnerabilidade como força silenciosa. Convida o espectador a testemunhar a poesia do efêmero: onde feridas se transformam em sabedoria, fraturas sugerem renascimento, e o próprio ato de criar torna-se uma terna resistência ao desespero.
Mais do que uma exposição da dor, esta série é um ode à alquimia que transforma sofrimento em arte — e um testemunho da coragem de habitar, sem medo, as profundezas do que nos faz humanos.
Soul Pains Series
This series is an intimate cartography of the human experience, mapping the terrain where anguish and beauty coexist. Through the fluidity of watercolor—a medium that breathes with transparency, layering, and delicate erosion—each work explores the duality of our inner landscapes: joy and sorrow, fragmentation and wholeness, memory and oblivion.
"Soul Pains" confronts the scars etched into the soul’s fabric—traumas, unrealized dreams, and the quiet persistence of past selves—while tracing the fragile emergence of resilience. Colors converse in emotional contrasts (golden hope against blue serenity, darkness yielding to light), and forms dissolve like identities in flux. The body becomes a palimpsest of lived experience; watercolor stains like memories that seep through time.
Inspired by the liminal space between art and science, destruction and healing, these pieces honor vulnerability as a silent strength. They invite viewers to witness the poetry of impermanence: where wounds transform into wisdom, fractures hint at rebirth, and the act of creation itself becomes a tender defiance against despair.
This series is not merely an exhibition of pain—it is an ode to the alchemy that turns suffering into art, and a testament to the courage of dwelling, unflinchingly, in the depths of what makes us human.
Despersonalização
Depersonalization
Ano/Year: 2025
Técnica: Aquarela sobre papel/Technique: Watercolor on paper
Dimensões/Dimensions: 42x30cm
Tiragem: Única / Edition Size: Unique
Autorretrato de Dor
Esta obra simboliza o colapso, a fragmentação e a perda do vigor emocional e físico. Ela expressa a sensação de esvaziamento da personalidade construída, quando aquilo que sustentava a identidade começa a se dissolver. Como ponto de partida da série Dores da Alma, Despersonalização aborda a vulnerabilidade emocional e o sofrimento interno. Os olhos azuis evocam a pureza, enquanto os vasos sanguíneos expostos simbolizam a dor, o desgaste e a tensão. O fundo azul traz melancolia e uma calma silenciosa, como a presença de um observador interno em um universo em colapso. A obra convida à contemplação do que permanece quando as camadas externas se rompem.
Self-Portrait in Pain
This work symbolizes collapse, fragmentation, and the loss of emotional and physical vitality. It conveys the feeling of the dissolution of a constructed identity, when what once sustained the self begins to fade. As the starting point of the Dores da Alma series, Depersonalization addresses emotional vulnerability and inner suering. The blue eyes evoke purity, while the exposed blood vessels symbolize pain, wear, and tension. The blue background suggests melancholy and a quiet calm, like the presence of a silent inner observer within a collapsing universe. The work invites contemplation of what remains when external layers break apart.
Insensatez
Foolishness
Ano/Year: 2025
Técnica: Aquarela sobre papel/Technique: Watercolor on paper
Dimensões/Dimensions: 42x30cm
Tiragem: Única / Edition Size: Unique
Fragmentos
Essa obra é uma metáfora do homem insensato que constrói uma casa sobre a areia, que desmorona na tempestade. Traz os sentimentos de vergonha, da vivência de um constrangimento. O insensato é alguém ingênuo e a tentação e sedução seguindo qualquer um sem discernimento. É como entrar em uma jaula de leões sem noção dos perigos. Falta de fundamento, um caminho auto-destrutivo uma rejeição da sabedoria interior. O olhar caído e envolvente, com lábios firmes são atravessados por uma lacuna na cabeça do personagem, que nos faz questionar sua razão. Os tons avermelhados da pele relembram o tecidos lentamente danicados pela doença.
Fragments
This work is a metaphor for the foolish man who builds a house over sand, which crumbles in the storm. It evokes feelings of shame, of experiencing embarrassment. The foolish man is naive, and temptation and seduction follow anyone without discernment. It's like entering a lion's den without understanding the dangers. Lack of foundation, a self-destructive path, a rejection of inner wisdom. The downcast and innocent gaze, with firm lips, is pierced by a void in the character's mind, which makes us question his reason. The reddish tones of the skin recall tissues slowly damaged by disease.
Solidão
Loneliness
Ano/Year: 2025
Técnica: Aquarela sobre papel/Technique: Watercolor on paper
Dimensões/Dimensions: 42x30cm
Tiragem: Única / Edition Size: Unique
Autorretrato de Dor
Há instantes em que existir parece pele aberta, crua, vulnerável, quase insuportável. Esta pintura nasce desse território. Mas, entre as camadas, há também o pulso silencioso do que cura, do que resiste, do que volta a nascer. Uma pequena ressurreição que começa por dentro.
Self-Portrait in Pain
There are moments when being alive feels like exposed skin, raw, vulnerable, almost unbearable. This painting is born from that place. But in its layers, there is also the quiet pulse of what heals, what resists, what returns. A small resurrection that begins inside.
Faces Mistas
Mixed faces
Ano/Year: 2025
Técnica: Aquarela sobre papel/Technique: Watercolor on paper
Dimensões/Dimensions: 42x30cm
Tiragem: Única / Edition Size: Unique
Faces Mistas
“Faces Mistas” remete meu fascínio pela dualidade do ser. As camadas de aquarela se sobrepõem como memórias e vivências que moldam cada rosto. Os contornos se dissolvem, lembrando que nossas identidades são dinâmicas feitas de afetos, angústias e lembranças. Nesta obra, busco habitar com delicadeza as incertezas e contradições que nos constituem. O amarelo e o azul criam um contraste simbólico: alegria e otimismo encontram serenidade e tranquilidade, revelando a dinamicidade da alma.
Blended Faces
“Mixed Faces” reflects my fascination with the duality of being. The watercolor layers overlap like memories and experiences that shape each face. The contours dissolve, reminding us that our identities are dynamic made of afections, sorrows, and memories. In this work, I seek to gently inhabit the uncertainties and contradictions that constitute us. Yellow and blue create a symbolic contrast: joy and optimism meet serenity and calm, revealing the dynamism of the soul.
Renascer da Angústia
Reborn from anguish
Ano/Year: 2025
Técnica: Aquarela sobre papel/Technique: Watercolor on paper
Dimensões/Dimensions: 42x30cm
Tiragem: Única / Edition Size: Unique
Renascer da Angústia
Em “Renascer da angústia”, busquei captar o instante em que dor e esperança se entrelaçam. A aquarela me permitiu explorar transições entre tons escuros e suaves, em busca de um equilíbrio entre o feminino e o masculino. Inspirada pela minha trajetória entre ciência e arte, vejo neste trabalho a força silenciosa dos processos internos, capazes de recriar vida a partir do que parecia impossível.
Rebirth from Anguish
In “Rebirth from Anguish”, I sought to capture the moment when pain and hope intertwine. Watercolor allowed me to explore transitions between dark and soft tones, searching for a balance between the feminine and the masculine. Inspired by my path between science and art, I see in this work the silent strength of inner processes, capable of recreating life from what once seemed impossible.
Fera que Cura
Healing beast
Ano/Year: 2025
Técnica: Aquarela sobre papel/Technique: Watercolor on paper
Dimensões/Dimensions: 42x30cm
Tiragem: Única / Edition Size: Unique
Fera que Cura
Fera que cura” explora a dualidade entre o impulso ameaçador e o potencial restaurador que habita todo ser. Neste trabalho, a aquarela desenha guras que se entrelaçam, numa busca pelo equilíbrio entre as energias da saúde e da doença. Minha referência às vanguardas surge no desejo de romper limites formais, deixando transparecer o movimento dinâmico da cura interior alimentada pela coragem de olhar feridas sem reservas para curá-las.
Healing Beast
“Beast that Heals” explores the duality between the threatening impulse and the restorative potential that inhabits every being. In this work, watercolor sketches gures that intertwine, seeking balance between the energies of health and illness. My reference to the avant-garde appears in the desire to break formal boundaries, allowing the dynamic movement of inner healing to emerge nourished by the courage to face wounds without reservation in order to heal them
Vestígios de Abalo
Traces of schock
Ano/Year: 2025
Técnica: Aquarela sobre papel/Technique: Watercolor on paper
Dimensões/Dimensions: 42x30cm
Tiragem: Única / Edition Size: Unique
Vestígios de Abalo
“Vestígios de abalo” dialoga com os traumas que, embora possam cicatrizar, permanecem inscritos na matéria da alma. Por meio da superposição de camadas, procuro registrar a marca do impacto o eco daquilo que não pôde ser dito no momento. O corpo, aqui, é território de memória, um palimpsesto sensível onde convivem dor e resiliência. A aquarela, sempre uida, me permite sugerir a delicadeza desse processo de assimilação.
Traces of Shock
“Traces of Shock” engages with the traumas that, although they may heal, remain inscribed in the fabric of the soul. Through the superimposition of layers, I seek to record the mark of impact the echo of what could not be spoken at the time. The body, here, is a territory of memory a sensitive palimpsest where pain and resilience coexist. Watercolor, always uid, allows me to suggest the delicacy of this process of assimilation.
Sonhos Perdidos
Lost dreams
Ano/Year: 2025
Técnica: Aquarela sobre papel/Technique: Watercolor on paper
Dimensões/Dimensions: 42x30cm
Tiragem: Única / Edition Size: Unique
Sonhos Perdidos
“Sonhos perdidos” é um mergulho nas ausências e nos desejos não realizados. Valendo-me da transparência e dos desvanecimentos característicos da aquarela, exploro a sensação de tempo suspenso, de projetos que se dissipam e persistem apenas como espectros. O tom poético da obra nasce da tentativa de acolher o luto das pequenas perdas, reconhecendo em cada vazio o impulso para o novo.
Lost Dreams
“Lost Dreams” is a dive into absences and unfullled desires. Using the transparency and fading qualities of watercolor, I explore the sensation of suspended time, of projects that dissolve and persist only as specters. The poetic tone of the work emerges from the attempt to embrace the mourning of small losses, recognizing in each emptiness the impulse toward the new
Olhar do Passado
Gaze from the past
Ano/Year: 2025
Técnica: Aquarela sobre papel/Technique: Watercolor on paper
Dimensões/Dimensions: 42x30cm
Tiragem: Única / Edition Size: Unique
Olhar do Passado
Em “Olhar do passado”, busco retratar aquilo que nos persegue: a presença constante das memórias dos momentos vividos, inscritos em nossos gestos e olhares.
O rosto sugerido na pintura parece emergir de entre camadas de história e emoção. A aquarela me permitiu construir uma imagem que é, ao mesmo tempo, revelação e esconderijo do íntimo.
Gaze from the Past
In “A Look of the Past”, I seek to portray what haunts us: the constant presence of memories from lived moments, inscribed in our gestures and gazes.
The face suggested in the painting seems to emerge from layers of history and emotion. Watercolor allowed me to build an image that is, at once, a revelation and a hiding place of the intimate.
Inseguranca
Insecurity
Ano/Year: 2025
Técnica: Aquarela sobre papel/Technique: Watercolor on paper
Dimensões/Dimensions: 42x30cm
Tiragem: Única / Edition Size: Unique
Insegurança
“Insegurança” nasce do contato com nossos medos, que nos fazem vacilar diante dos novos acontecimentos da vida. As formas imprecisas e o uso de cores contrastantes traduzem o estado de alerta e hesitação. O tema dialoga diretamente com minha experiência pessoal: a busca por equilíbrio entre o desejo de controle e a aceitação da vulnerabilidade. A aquarela intensica essa atmosfera, deixando o desconforto transparecer.
Insecurity
“Insecurity” is born from the encounter with our fears, which make us falter in the face of new events in life. The imprecise forms and the use of contrasting colors translate the state of alert and hesitation. The theme directly reects my personal experience: the search for balance between the desire for control and the acceptance of vulnerability. Watercolor intensies this atmosphere, allowing the discomfort to emerge.
Autoretrato de Dor
Selfportrait in pain
Ano/Year: 2025
Técnica: Aquarela sobre papel/Technique: Watercolor on paper
Dimensões/Dimensions: 42x30cm
Tiragem: Única / Edition Size: Unique
Autorretrato de Dor
Ao criar “Autorretrato de dor”, procurei converter experiências íntimas em imagem sensível. Esta obra é testemunho do exercício de me confrontar com meus próprios limites e cicatrizes. O gesto aquarelado, leve e ainda assim denso, permite que o sofrimento seja exposto sem endurecimento, numa tentativa de encontrar beleza e poesia mesmo nos momentos mais difíceis do existir.
Self-Portrait in Pain
In creating “Self-portrait of Pain”, I sought to translate intimate experiences into a sensitive image. This work is a testimony of the exercise of confronting my own limits and scars. The watercolor gesture, light and yet dense, allows suering to be exposed without hardening, in an attempt to nd beauty and poetry even in the most dicult moments of existence.
Fragmentos
Fragments
Ano/Year: 2025
Técnica: Aquarela sobre papel/Technique: Watercolor on paper
Dimensões/Dimensions: 42x30cm
Tiragem: Única / Edition Size: Unique
Fragmentos
“Fragmentos” explora a percepção de que, diante da morte, o eu se desconstrói, multiplicando-se em partes que talvez se recomponham na totalidade. As formas aludem a nossos fragmentos, resquícios do que fomos e daquilo que ainda podemos ser, ecos do nosso desejo de permanência perante o transitório. A aquarela, uida, favorece o não dito, o entre, o suspenso.
Fragments
“Fragments” explores the perception that, in the face of death, the self deconstructs, multiplying into parts that may perhaps recompose into wholeness. The forms allude to our fragments, remnants of what we once were and of what we can still become, echoes of our desire for permanence in the midst of transience. Watercolor, fluid as always, allows for the unspoken, the in-between, the suspended.
Solidão
Loneliness
Ano/Year: 2025
Técnica: Aquarela sobre papel/Technique: Watercolor on paper
Dimensões/Dimensions: 42x30cm
Tiragem: Única / Edition Size: Unique
Autorretrato de Dor
Um corpo em repouso ocupa o centro como uma ilha de silêncio. Os campos em cinza, azul frio e rosa velado criam um espaço íntimo, quase suspenso. Três núcleos vermelho-amarronzados pulsam sob camadas translúcidas, carregando ausência, dor e memória. As linhas suaves dissolvem o contorno até que a gura vira atmosfera. É assim que a aquarela me atravessa: presença que permanece mesmo quando tudo se esvazia.
Self-Portrait in Pain
A resting body sits at the center like an island of silence. Grey, cool blue and muted pink elds shape an intimate, suspended space. Three reddish-brown nuclei pulse beneath translucent layers, holding absence, pain and memory. Soft lines dissolve the contours until the gure becomes atmosphere. This is how watercolor moves through me: a presence that remains even as everything else fades.












